sábado, 27 de fevereiro de 2010

Incompetência máxima


É inacreditável o que acontece em Santarém. Em frente à cidade, dois enormes rios encontram-se e mandam o recado que nesta cidade nunca deveria faltar água nas residências de seus habitantes. Mas os incompetentes desafiam a natureza, o bom senso e a paciência da população. Os incompetentes definitivamente não conseguem colocar a água abundante nas torneiras. Deve ser a complexidade do processo, algo novo, algo que envolva tecnologia desenvolvida ontem.
Há alguns dias milhares de pessoas estão sem água na cidade, dependendo de favores de vizinhos que têm poço artesiano em suas residências ou dos pré históricos Carros Pipas. Em pleno 2010 a segunda (será ainda?) maior cidade do Pará depende do abastecimento de água através de carros pipas. Acreditam? Se não acreditam é só olhar esta foto, tirada agora há pouco, no centro da cidade, em uma tarde de sábado, quando as pessoas deveriam estar descansando e não preocupadas em como ter água em casa. O custo do "abastecimento": R$ 20,00 por abastecida.
Culpa de quem? Da Cosanpa, detentora da concessão pública para o abastecimento de água na cidade. Da prefeitura, que concedeu (em contrato já vencido) o poder à Cosanpa. Da Câmara dos Vereadores que deveria ser mais enérgica em cobrar da prefeitura e da Cosanpa solução para o problema; do Ministério Público Estadual que não age exigindo solução imediata. Da sociedade em geral, que deveria ser mais crítica e cobrar de forma mais firme ( mas não violenta) o básico direito de ter água em casa.
Possivelmente a população ainda sofrerá com o problema por alguns meses. Possivelmente até vesperas das eleições 2010, afinal em tempo de eleição tudo se resolve.
Falta de água em Santarém: maior incompetência impossível.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

E AGORA PAJU?

Deu no Blog do Dudu Dourado

O PV no Pará confirmou essa semana o apoio à reeleição da governadora Ana Júlia (PT). Há 4 anos, num cenário em que o PSDB estava no comando do estado, os verdes, sob o comando de José Carlos Lima, tomaram a mesma decisão. Ou seja, embarcaram na canoa do governo de plantão. Mais coerência, impossível. (Fonte: Jeso Carneiro). Bando de cagão esse pessoal do PV, e agora Podalyro? Deves está doido para mandar esse pessoal pra aquele lugar não? Não adianta negar, eu sei que queres. Nós também.

Fonte:www.dududourado.blogspot.com

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

PV apoiará reeleição de Ana Júlia

No blog do Zé Carlos Lima, presidente do PV -PA 
" Uma comissão, formada pelos deputados Gabriel Guerreiro, Deley Santos; vereadores Nonato Filgueiras, Orlando Reis; o secretário municipal de meio ambiente Sebastião Oliveira; o presidente do Diretório Municipal de Belém Celso Botelho; o presidente da UGT, Zé Francisco; foi recebida em audiência pela Governadora Ana Júlia Carepa onde foi consolidado o apoio do Partido a sua reeleição.
Na ocasião, debatemos questões ambientais e de estratégias de desenvolvimento para o Pará, adicionando as teses de sustentabilidade. O PV apresentou um relatório de sua atuação no Estado, município a município e deixou claro sua estratégia de ter um palanque para a candidata presidente Marina Silva, dobrar sua bancada estadual e eleger o primeiro deputado federal ambientalista dos verdes da Amazônia.
A Governadora empenhou seu apoio as estratégias do Partido Verde, que passará a ser um parceiro no processo eleitoral e no segundo mandato. Daqui pra frente estaremos juntos na agenda, no palanque e na coordenação de campanha rumo ao segundo mandato." 

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Educação: o que pensa Marina Silva

No blog da Marina Silva (www.minhamarina.org.br)

"Difícil falar de uma ou duas soluções que resolveriam todo o nosso problema (educação). Aqui vão cinco itens a serem implementados agora que conseguimos praticamente universalizar o Ensino Fundamental.
1) Os resultados das últimas avaliações do ensino mostram que nem 30% dos alunos  têm desempenho adequado em português e matemática, tanto na quarta série, como na oitava e ensino médio. Queremos que todas as crianças e jovens aprendam todos os conteúdos, valores e habilidades necessários.
2) Precisamos que a formação inicial do professor esteja mais conectada com a realidade da sala de aula. O professor deve ter uma formação continuada consistente para estar atualizado em termos de conteúdo e, ao mesmo tempo, satisfeito nos aspectos de carreira e salário.Precisamos cuidar para que a lei vigente seja cumprida, para tornar a profissão mais respeitada e atrair novamente bons profissionais.
3) Dados de organismos internacionais como o Cepal apontam para a necessidade de 12 anos de escolaridade para o indivíduo sair de um estado de pobreza, ou seja, a conclusão do ensino médio. Hoje apenas 61% dos alunos concluem o Ensino Fundamental e 44% o Ensino Médio. É preciso criar condições para que todos os alunos concluam essas etapas na idade correta, sem repetência, para que possam participar da vida do país de forma digna e produtiva.
4) Existe uma grande demanda dos jovens que se dizem desinteressados pela escola e que procuram por cursos técnicos e profissionalizantes. Não se trata de abrir mão de uma visão mais ampla, humana e cultural, mas de promover uma atualização dos currículos em seus aspectos culturais e nos relacionados ao mundo do trabalho.
5) O brasileiro tem direito a ir para a escola dos 4 aos 17 anos. Estudos nacionais e internacionais demonstram a importância da educação infantil como forma de melhorar o aprendizado nas séries iniciais. Precisamos, então, garantir que a lei seja cumprida e que as crianças possam ingressar na escola já aos 4 anos.
Estes pontos foram elaborados com a ajuda da socióloga Neca Setubal, presidente do Cenpec, uma das ONGs mais respeitadas do país em educação."

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Santarém-Cuiabá esquecida de novo!!

Mesmo com governo municipal, estadual e federal do mesmo partido, não se consegue concretizar uma obra que poderia alavancar definitivamente a economia de Santarém e região. Na segunda etapa do PAC II a rodovia Santarém Cuiabá foi novamente esquecida. Repetimos: novamente esquecida! Leiam:

"A segunda versão do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC 2) está em fase final de ajustes no governo e deverá conter investimentos planejados para até 2020. Entre seus principais destaques estarão projetos do setor de transportes, principalmente hidrovias e ferrovias, para apoiar a produção agropecuária e industrial. O Valor teve acesso ao projeto mais avançado de investimentos que deverão ser feitos para expandir a malha ferroviária dos atuais 29 mil quilômetros para 40 mil km até 2020. Desse total, 35 mil km já deverão estar prontos em 2015.
Essas projeções incluem também projetos previstos, e não realizados, no primeiro PAC, que deverão ser acelerados para que as licitações sejam feitas ainda neste ano. O orçamento total de ferrovias no PAC 2 ainda não está delimitado, mas, se considerado o preço médio de US$ 1 milhão por quilômetro de ferrovia, até 2020 seriam US$ 11 bilhões investidos, ou quase R$ 21 bilhões.
O projeto prevê uma interligação entre os principais ramais do país e, destes, com os diferentes portos. Além dos portos de Pecém (CE) e Suape (PE), onde chegará a Nova Transnordestina até 2012, haverá também ligações para o porto de Barcarena (PA), pela Norte-Sul, e até o porto de Rio Grande (RS), pela Ferrosul. A expansão da Ferrosul é uma das principais novidades do PAC 2.
As novas ferrovias deverão ser feitas em bitola larga. Onde houver ligação com ramais de bitola estreita, serão feitas três linhas sobre os trilhos, de forma que, pela mesma infraestrutura, possam circular tanto locomotivas e vagões de bitola larga, quanto de estreita, para otimizar o uso da malha. Exemplo desse uso deverá ser adotado no corredor Ferrosul, de Panorama (SP) até o porto do Rio Grande, passando por Guarapuava (PR).
Também há previsão para execução da ferrovia de Dionísio Cerqueira (SC) ao porto de Itajaí (SC), passando por Chapecó. O projeto é conhecido como Ferrovia do Frango, por causa da produção granjeira, que se estende de leste a oeste do Estado. Por Itajaí, perpendicularmente à linha do Frango, passará a Ferrovia Litorânea, que contornará a costa de Santa Catarina, entre Araquari e Imbituba. Em Chapecó, haverá a conexão entre a Ferrovia do Frango e a Ferrosul.
Na região Sul, o PAC 2 prevê também uma nova linha que chegará ao porto de Paranaguá partindo de Guarapuava. Seria uma segunda descida para o porto, com o objetivo de desafogar a já existente. Com a maior interconexão entre as ferrovias nacionais, prevê-se fluxo mais intenso nos entroncamentos que chegam aos portos.
O desenho das ferrovias no novo programa traz também uma linha de bitola larga entre Ipatinga (MG) e Uruaçu (GO), passando por Brasília, de onde sai um ramal em direção a Anápolis (GO). Em Ipatinga, a linha conecta-se aos trilhos da Estrada de Ferro Vitória Minas (EFVM) e, em Anápolis e Uruaçu, conecta-se à Norte-Sul. Será um acesso mais rápido para exportar a produção de grãos do Centro-Oeste, principalmente soja, pelo porto de Tubarão (ES). Em Uruaçu chegará também uma nova linha que parte de Vilhena (RO) e passa por Sorriso (MT), outra região de produção agrícola.
O PAC 2, porém, deverá deixar para um segundo momento algumas das grandes obras projetadas para o sistema ferroviário. O corredor Bioceânico, que sairá de Rondonópolis, passando por Porto Velho (RO) e Rio Branco (AC) até a fronteira da Bolívia, onde chegaria até o Pacífico, não deverá ter prazos específicos na nova edição do programa. Também a linha que liga Cuiabá (MT) a Santarém (PA) e a expansão da Ferroeste até Foz do Iguaçu (PR) ficariam sem previsão.
Até a definição final do PAC 2, ainda discutido na Casa Civil e ministérios, há probabilidade maior de que obras incluídas sejam retiradas do que as desconsideradas sejam inseridas, segundo pessoa próxima às discussões.
O planejamento do PAC 2, de chegar a 40 mil km de linhas férreas em 2020 deverá colocar o sistema logístico brasileiro em nível mais próximo do de outros países de dimensões continentais. Hoje, os EUA têm cerca de 280 mil km de ferrovias e a China tem 86 mil km. A China, porém, tem em curso um plano para expandir a malha para 125 mil km até 2015.
O crescimento da malha ferroviária brasileira poderá vir acompanhado por um novo modelo para o setor, que se assemelharia ao rodoviário. Nesse plano, concebido na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e no Ministério dos Transportes, os concessionários da infraestrutura dos novos trilhos não terão direito à exclusividade sobre os vagões e locomotivas que circularem sobre eles. Pelo modelo considerado, uma empresa poderia trazer seu comboio de determinada região para desembarcar em qualquer porto onde os trilhos possam levá-la, pagando direitos de passagem aos concessionários das linhas. Dessa forma, seria estimulada a concorrência entre os concessionários dos trilhos e também entre os porto, como ocorre na Espanha."

Fonte: Valor econômico, Portal No Tapajós

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

CIRURGIAS DE ALTA TECNOLOGIA EM ÁREA INDÍGENA REMOTA

Woi Zoé em preparo pré-anestésico


Enes, Marcelo, Fábio, Erik e Paulo

Siô, Kenan, Tatitô e Woi Zoé no dia seguinte as cirurgias.

Nos dias 14 e 15 de janeiro 2010 foram realizadas na TERRA INDÍGENA ZO’É, situada no noroeste do Estado do Pará em área florestal remota, cirurgias por VIDEOLAPAROSCOPIA, de alta complexidade e tecnologia de ponta, entre indígenas da etnia ZO’É, de recente contato e atendidos pela CGIIRC-Coordenação Geral de Índios Isolados e de Recente Contato, da FUNAI.


A cirurgia, denominada colecistectomia, consiste na solução cirúrgica do que popularmente é conhecido como “pedras na vesícula”; em Medicina colecistopatia litiásica. Há uma referência mundial de maior incidência desta patologia no quadro conhecido como “os 4 F”: Female (mulheres), Fatty (“gordinhas”), Forty ( na faixa dos 40 anos) e Fertility (férteis, multíparas). Entre os Zo’é, povo indígena contatado na década de 80, suspeita-se que sua dieta alimentar tradicional, rica em gordura animal (oriunda da caça) e com ingestão maciça de castanha-da-amazônia (Bertolletia excelsa) favoreça a propensão feminina à colelitíase, inclusive em mulheres multíparas mais jovens. A doença, quando agravada, pode levar a óbito pela infecção na vesícula biliar ou obstrução da via biliar principal.

O evento cirúrgico, inédito em área indígena e em localização remota na Amazônia, foi resultado do empenho coletivo e voluntário de um grupo de médicos especializados, apoiados pela Frente de Proteção Etnoambiental Cuminapanema-CGII-FUNAI, Hospital Sírio-Libanês, de São Paulo, Hospital Municipal Santa Izabel, de João Pessoa (PB), Hospital Universitário da UFPB e FUNASA/DSEI-Santarém.

A necessidade cirúrgica foi inicialmente diagnosticada pelo Dr..Erik Jennings Simões (coordenador em Saúde da Frente Cuminapanema pelo DSEI-STM) com a colaboração voluntária dos Drs.Alan Soares e Bruno Moura, médicos radiologistas do Hospital Regional do Oeste do Pará (Santarém), que realizaram ultrassonografias com equipamento portátil na própria área indígena, constatando a colelitíase com indicação cirúrgica em 04 mulheres Zo’é. Posteriormente, a articulação do Dr.Fábio Tozzi, cirurgião do PSA-Projeto Saúde e Alegria, de Santarém, e médico colaborador junto aos Zo’é, atraiu a participação voluntária do cirurgião Marcelo Averbach e do médico anestesista Enis Donizetti Silva, ambos do Hospital Sírio-Libanês (SP), instituição que apoiou decisivamente a iniciativa cedendo o videolaparoscópio e todo o aparato tecnológico para adaptar o Centro de Saúde da Terra Indígena Zo’é para a realização desta cirurgia de alta complexidade, e do cirurgião Paulo Haiek, do Hospital Universitário da UFPB e Hospital Santa Izabel. Os hospitais da Paraíba cederam parte dos materiais necessários aos procedimentos, e para disponibilizarem tais materiais ao evento suspenderam durante a semana as cirurgias similares não-urgentes em sua programação interna. Em área, os cirurgiões receberam integral apoio técnico e linguístico da enfermeira Suely de Brito Pinto, da Frente Cuminapanema.

A colecistectomia por videolaparascopia é uma técnica que revolucionou as cirurgias intra-abdominais a partir dos anos 90. Exige tecnologia em equipamentos e técnica cirúrgica altamente especializada, pois os procedimentos são realizados sem contato manual direto. Pequenos tubos são inseridos na cavidade abdominal e através deles são introduzidos uma microcâmara com fonte de luz e pinças específicas para este método. As pinças são operadas a partir da visualização através de um monitor de vídeo. O procedimento é minimamente invasivo, pois a introdução das pinças é feita a partir de 4 incisões mínimas (de 5 a 10mm). Permite um pós-operatório com pronto restabelecimento e menor incidência de dor, possibilitando liberação dos pacientes em menos de 24 horas. Técnicas e substâncias anestésicas igualmente avançadas permitiram às pacientes Zo’é saírem do evento cirúrgico em excelente estado geral e sem queixas de tonturas ou dores e, sem riscos pós-cirúrgicos, em pouco tempo retornarem às aldeias e retomarem suas atividades usuais.

Os Zo’é ficaram conhecidos na mídia no final dos anos 80 como um dos últimos povos Tupí contatados na Amazônia. Tiveram graves perdas demográficas no período inicial pós-contato, e seu atendimento foi assumido exclusivamente pelo então Departamento de Índios Isolados, da FUNAI (atualmente, CGIIRC) apenas em 1991. Desde então, o aporte maciço em saúde, tanto no atendimento quanto na infraestrutura clínica no interior da área indígena, permitiu a segura recuperação demográfica e estabilização do quadro de saúde. Concomitantemente, um incisivo trabalho de reforço à identidade cultural e autonomia econômica em seus próprios padrões de autosustentação no ecossistema de Floresta Tropical Úmida, no qual este povo está harmoniosamente inserto, têm possibilitado aos Zo’é romperem o século XXI como um dos povos de recente contato com melhores índices de saúde integral e excelente patamar de qualidade de vida, sem comprometer seu ethos tribal. Atualmente, a população Zo’é constitui-se de 251 pessoas; são assistidos pela Frente de Proteção Etnoambiental Cuminapanema (CGIIRC-FUNAI), coordenada há mais de dez anos pelo indigenista João Lobato.

         Nota: Texto revisado por João Lobato e Rosa Cartagenes e aprovado pela CGIIRC-Funai

Ponta de vento e beleza!!!

Kite cortando a Ponta do Icuxi no rio Arapiuns. Lugar de beleza impar, pouco conhecido; lugar de descansar; lugar de velejar. 
                                                Foto: Podalyro Neto